:: COMO É O TRATAMENTO
 
 

Para entender as particularidades da Medicina Hiperbárica devemos em primeiro lugar, ter em mente algumas leis físicas com relação aos gases, sendo elas:

Lei de Boyle, Lei de Henry, Lei de Dalton e Lei de Charles.

1. Lei de Boyle: Se a uma temperatura constante, ocorrer aumento de pressão atmosférica absoluta, o volume do gás será inversamente proporcional, ou seja: quanto maior a pressão no ambiente, menor será o volume de determinada bolha gasosa.

2. Lei de Henry: Qualquer que seja a quantidade de um gás, estando ele em meio líquido, com o aumento progressivo da pressão atmosférica, este também se liquefará.

3. Lei de Dalton: A pressão total exercida por uma mistura de gases é a soma das pressões parciais que seria exercida por cada gás se ocupasse sozinho todo o sistema.

4. Lei de Charles: A pressão absoluta e o volume de um gás variam, cada um, diretamente com sua temperatura absoluta.

COMPONENTES DA ATMOSFERA:

Oxigênio: representação química: O2. Existe em estado livre na atmosfera, fazendo parte em aproximadamente 20% do volume total da mistura. Apresenta-se sem sabor, incolor e inodoro. Apesar de ser utilizado para o metabolismo celular, respirado em altas pressões e por tempo prolongado torna-se tóxico para o sistema nervoso central e sistema respiratório.

Nitrogênio: representação química N2. Também existe em estado livre na atmosfera, fazendo parte em aproximadamente 79% do volume total da mistura. Também é incolor, inodoro e insípido. Do ponto de vista quimio-biológico é considerado um gás inerte; ou seja, não participa ativamente nas reações químicas celulares.

Hidrogênio: representação química H2. É um gás bastante leve, se combinando com o oxigênio para formar a água. Apresenta ligações extremamente fortes entre suas duas moléculas, com liberação de grande quantidade de energia quando do seu desligamento.

Gás Carbônico: representação química CO2. Apesar de como nos exemplos anteriores, ser inodora, sem sabor e incolor, em altas concentrações apresenta-se com cheiro e sabor ácidos. É resultante da queima de matéria orgânica e oxidação dos alimentos nos organismos vivos.

Monóxido de Carbono e Gás Sulfídrico: representações químicas CO e H2S. São provenientes da combustão e decomposição incompletas de matérias orgânicas.

PRESSÃO ATMOSFÉRICA: É a pressão a qual tudo está submetido, sendo que em nível do mar corresponde a 1 Kg/cm2 ou 1 atm ou 760mmHg. Quando aumentamos gradativamente a pressão atmosférica, aumentamos a força que é exercida no organismo, com isso alterando a física dos gases.

ASPECTOS FISIOLÓGICOS:

Um indivíduo normal respirando ar ambiente em normopressão estará recebendo oxigênio a uma pressão parcial de aproximadamente 150 mmHg. Com o caminhar do ar respirado em direção a árvore traqueobrônquica, e chegando aos alvéolos, a pressão parcial desse mesmo oxigênio estará agora em aproximadamente 100 mmHg. Ao passar através da barreira alvéolo-capilar, a pressão cairá mais um pouco, chegando a 90 mmHg. Nestas condições, teremos uma saturação da hemoglobina circulante em torno de 97 %, e a quantidade de oxigênio dissolvido no plasma, de cerca de 0,3 volumes%.

Quando colocamos uma pessoa respirando oxigênio a 100%, também ainda em normopressão, a hemoglobina estará saturada em 100%, e a quantidade de oxigênio dissolvido no plasma estará aumentada para 2 volumes%.

Se, contudo, associarmos ao oxigênio a 100% o aumento de pressão atmosférica, teremos então todas as alterações físicas referidas acima. Ao dobrarmos a atmosfera ambiente, elevaremos a PO2 arterial para 1600 mmHg e a quantidade de oxigênio dissolvido no plasma em aproximadamente 4 volumes%. Quando triplicamos a pressão ambiente, a PO2 arterial estará em 2300mmHg, e a quantidade de oxigênio dissolvido, em 6 volumes %.

Dessa forma, o paciente dentro de uma câmara hiperbárica, com aumento de pressão atmosférica no seu interior, e respirando oxigênio a 100%, terá um grande aumento circulatório na porção de oxigênio liquefeito no plasma, ocorrendo dessa maneira muitos efeitos biológicos (químicos e celulares) nesta situação especial.

EFEITO ANTIBIÓTICO: a própria situação de hiperóxia criada pela OHB proporciona ação bactericida, bacteriostática, fungicida e fungostática; aumentando também a ação dos macrófagos. Ocorre sinergismo importante entre essa situação de hiperóxia e a maioria dos antibióticos, principalmente com os aminoglicosídios, cefalosporinas, cloranfenicol, clindamicina, vancomicina.

EFEITO OSTEOGÊNICO: em tecidos ósseos comprometidos, ocorre uma melhor atividade dos osteoblastos.

EFEITO ANGIOGÊNICO: sabemos que o estímulo para a neovascularização se faz pela situação de hipóxia, porem entre uma sessão e outra de OHB se cria uma situação de hipóxia relativa, sendo este o estímulo para a angiogênese.

EFEITO MÚSCULO-PROTETOR: ocorre proteção de toda musculatura estriada envolvida no processo patológico, com diminuição no acúmulo de lactato.

EFEITO VASOCONSTRICTOR: efeito próprio da hiperóxia, resultando em diminuição do edema criado pela vasoplegia. Devemos ressaltar aqui, que apesar da vasoconstricção, levando-se em conta a liquefação do oxigênio em nível plasmático, ocorre um incremento muito grande na oxigenação dos tecidos.

EFEITO ANTIRADICAIS LIVRES: ao contrário do que se pode imaginar, o tratamento com OHB leva a situações protetoras contra a formação em excesso dos radicais livres, com aumento na formação de ATP, diminuindo a marginação leucocitária,etc; como também melhorando a atuação dos "varredores" dos radicais como por exemplo a superóxido dismutase.

EFEITO DE COMPRESSÃO GASOSA: pela lei de Boyle, já mencionada anteriormente, temos o efeito de compressão das bolhas de gás, associado ao efeito de lavagem mais rápida e eficiente dos gases inertes e/ou tóxicos.

EFEITO CICATRIZANTE: em qualquer injúria tecidual onde não seja possível ser atingida uma tensão de oxigênio de pelo menos 40 mmHg, haverá um comprometimento da regeneração do tecido, como também alteração em sua função e vida. O tratamento coadjuvante com OHB proporciona uma condição excepcionalmente boa para o funcionamento acelerado de todas as células envolvidas no processo de cicatrização, principalmente os fibroblastos.

EFEITO ANTIINFLAMATÓRIO: a OHB terá influência em várias etapas da cascata inflamatória, responsável por inúmeros efeitos danosos a homeostase, fazendo com que essa cadeia seja interrompida.

EFEITO DE ATIVAÇÃO CELULAR: ocorre uma melhor ativação na formação dos macrófagos, através de fatores provenientes das plaquetas, com o fator de crescimento derivado das plaquetas (PDGF), fator beta transformador do crescimento (TGF-BETA), fator ativador das plaquetas (PAF), fibronectina e serotonina. Com a ativação dos macrófagos ocorrerá a síntese de óxido nítrico, que estimula a cicatrização e tem efeito antimicrobiano.

 

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